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O risco de fazer parcerias com homens — mito ou verdade?


 

Ainda estou à procura daquele artigo que li meses atrás, que falava sobre como algumas mulheres têm uma tendência mais maternal no negócio, ajudam a construir, a crescer, enquanto alguns homens entram com aquela mania de “ideia brilhante” e, do nada, querem fazer o mesmo que tu fazes… só que em modo turbo. Resultado? Às vezes copiam tua estratégia, puxam teus clientes e seguem como se tudo fosse normal.

Não sei se é regra geral, mas os meus 25 anos de carreira ensinaram-me uma coisa: tem gente que, quando o instinto de sobrevivência bate, não pensa muito em como o outro vai sentir — pensa é em sobreviver e se destacar. E quando uma mulher faz o mesmo? Tu já sabes o nome que vão tentar colar. E é aí que começa o nosso dilema: nós, mulheres, muitas vezes ficamos presas ao “como vamos parecer aos olhos de outrém”, em vez de focar no “o que precisa ser feito” num mercado que não está para brincadeira.

Neste blog, vou abrir um pouco da minha estrada — 25 anos de chão. Imagina uma miúda de 21 anos, a entrar numa multinacional só para fazer estágio, e ainda insistir que podia ser sem remuneração só para terminar a monografia. Relaxem, depois pagaram. História para outro blog.

Eu, sem experiência, virgem no mundo corporativo, e hoje olho para trás com quatro departamentos no currículo e posições de liderança. Como isso aconteceu? Para não me chamarem de “bitch”, inventaram o título de “madame”.

Minha primeira experiência como “Madame”


Comecei no departamento de TI. Primeira engenheira formada em programação. Todos os colegas mais velhos… e nenhum bonitinho. Lembrem-se: eu tinha 21 anos. Ver tios de barriga naquela idade é trauma. Meninas, arranjem namorado na faculdade, porque depois só aparece pessoal parecido com o vosso pai. Horror.


Voltando ao ponto: nenhum deles tinha feito o meu curso. Eram matemáticos adaptados, técnicos radiotécnicos… e eu ali, a única. Um privilégio estranho, porque o teste começou logo: “essa sabe o quê?!”

Para tentar boicotar, o colega mais velho guardava as chaves da biblioteca de livros programação. E não me deixava usar. Coitado. O meu instinto animal acordou. Fui ao supervisor, versão “Madame Arlette”, e larguei: “Que sentido faz termos biblioteca se criaram um sistema onde o fulano controla tudo e não deixa ninguém usar?”


O supervisor, Mr. Richard Fong, ficou tipo: “Como assim não permite?”

Descobriu-se que o colega, como não se destacava na área dele, virou “dono da biblioteca” para intimidar e parecer relevante. Só que eu já dominava a internet. Já tinha acesso a livros online da faculdade. Sugeri ao chefe comprar licenças para todos, fiz apresentação bonita — “Knowledge at our fingertips”. E pronto: destronei o senhor sem brigar. Depois ele e outros tiveram que aprender comigo como navegar o site. Virei expert.


O que essa experiência me ensinou


Inteligência é técnica. Sabedoria é comportamento humano.

O colega achou que estava a ser esperto controlando livros para se destacar. Eu estudei o comportamento dele e mudei o jogo: acesso para todos. Fim da ditadura da biblioteca.


Essa é só uma das histórias que vou trazer nos meus blogs. Muita gente pensa que precisamos de muito para chegar onde cheguei. Hoje quero enfatizar inteligência vs sabedoria — e como combinar as duas para brilhar.


O que começou como uma ideia de destronar um arrogante chamado Pinto, hoje virou acesso a ResearchGate, licenças online e muito mais. Tudo porque uma menina de 21 anos queria nota máxima na monografia. Os colegas que hoje usufruem disso sabem de onde veio. Malongo, Angola.


Eu tinha um objetivo. Passei por cima das barreiras. E sim, às vezes parece que certas pessoas têm tendência de copiar ideias e tentar exponenciar para benefício próprio — mas isso não é “coisa de homem” ou “coisa de mulher”. É coisa de quem está a tentar sobreviver no mercado.


Nós, mulheres, muitas vezes entramos no trabalho achando que estamos ali para gostarem de nós. Não. Estamos ali para gostarem do nosso trabalho. Amizade é bônus. Competição é regra.


Agora que entrei no mundo dos negócios com a ParLink, quase esqueci disso. “Vamos fazer parceria”, dizem. Depois assustas: estão a escrever artigos também. Copiaram a estratégia dos blogs. “Quero mentoria”, dizem. Depois o mentorado vira mentor.


Mas uma coisa não muda: quem é competente sempre se destaca quando o espírito de sobrevivência liga. Se o teu network não te desafia a sobreviver, esquece — vais ficar medíocre. Faz parcerias diversas, sim, mas para te destacares. Angola precisa de gente que se destaca, não de seguidores.

Se fazem o que tu fazes, ou querem seguir o teu caminho, celebra: és referência.


Escritor: Arlette Pitra

 
 
 

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