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Traição com sabor a orçamento geral do estado


       

Minha mãe sempre disse: “Filha, teus verdadeiros amigos são aqueles que cresceram contigo na fase em que ninguém sabia o preço de um mú.” Para quem não é da banda, deixa eu traduzir: rolon, aquele perfume que metemos nos sovacos.

E como duvidar da sabedoria de uma mãe? Só até a vida te dar aquela chapada da ingratidão — aquela que dói mais que queda de salto que depois já não tens como esconder o furo que tens na calça.

Crescemos juntos, estudamos juntos, e na faculdade eu era a única com computador. Tu ias lá em casa fazer os projetos, e sem aquilo hoje nem licenciatura tinhas. Aí, anos depois, peço um contrato para a Parlink… e tu dizes “apresenta o projeto” só para ires por trás implementar? Coração partido. Mas depois olhei no espelho e disse: “Me merece.” Porque às vezes a gente precisa levar uma rasteira para acordar.

Foi aí que finalmente entendi como alguns dos meus ex-colegas, com salário líquido de 300 mil kzs, vivem vida de 3 milhões de kzs. Mistérios da fé? Não. Mistérios da esperteza. Mas como diz o ditado: só as montanhas não se encontram.

O filho do vilão deste blog não conseguia passar no exame de admissão para entrar numa faculdade em Portugal — Português para Português, atenção. Enquanto isso, a minha sai do Elisângela, e não de um colégio internacional pois eu sou sempre apologista em suportar negócios nacionais, e entra numa faculdade top 50 nos Estados Unidos. Coitado do filho do vilão, antes disso enviaram-lhe a fazer inglês na Africa do Sul, mas sem orientação como dou a muitos jovens através da Parlink, não conseguiu ser admitido em uma faculdade no Reino Unido. Daí a opcão da Tuga, que hoje até já lá anda, fazendo cursos especiais.

Enquanto o rapaz não viajava, o meu lado humanizado só dizia “Agora liga-me. Contacta a Parlink. Quer ajuda? Quer orientação? Quer milagre?”

O esperto come rápido, mas nunca fica satisfeito. Até hoje estou à espera do pedido de mentoria específica — aquela que dou aos jovens em cada fase da vida para os ajudar a destacar-se.

A minha mãe não estava errada. O problema do sujeito — melhor, do vilão deste blog — é que só pensou no que ia ganhar com a ideia que roubou da Parlink. Nunca pensou que um dia precisaria de ajuda que vale mais do que milhares de kwanzas. E eu? Não o ataquei quando vi minha ideia implementada. Fiz pior: Fui chorar aos pés do Senhor. A vingança pertence a Deus.

Hoje ele pode até ter dinheiro, mas a paz de ver o filho a suceder… isso não tem. E se um dia vier pedir orientação e mentoria? Eu ajudarei — de saltos e Moët Chandon na mão. Porque onde te humilharam será onde verão tua glória.

Com este blog quero te acalmar: Quem te rouba pode até levar uma ideia, mas nunca leva tua fonte de inspiração. Essa não seca. Essa é tua. Essa renova.

Vamos mostrar aos gatunos intelectuais que o crime não compensa — e que a criatividade não tem cópia pirata.


Escrito por: Arlette Pitra

 

 
 
 

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